
Sou bem estranha. Gosto de comer macarrão direto da panela, com pouco molho e muito ketchup, gosto de dias extremamente quentes, com uma pancada de chuva no fim da tarde pra dar aquele ar romântico quando chegar a noite estrelada com aquela lua cheia super redonda e amarelada, prefiro números ímpares, gosto de ímãs de geladeira em formato de animais, ouço músicas no volume setenta e três, me incomodo bastante com o som de aparelhos de televisão, prefiro um livro de ficção para crianças, não mudaria tudo o que já fiz, não me arrependo do que deixei de fazer nem do que já fiz, gosto de ficar olhando pro céu e houve tempos em que pensei que meu olho ficaria azul de tanto encara-ló. Detesto gente que é simpática demais, gosto de caras calados e que andam de skate, prefiro passar um dia em silêncio com meus cinco melhores amigos do que passar um mês na praia com gente que não me valoriza, gosto de andar de ônibus e faço questão de sentar na cadeira ao lado da janela. Gosto de vento no rosto, do meu cabelo preto e bagunçado, cheiro de livro novo, escrevo meus textos embaixo da cama, meu guarda roupa está sempre arrumado, detesto as músicas “populares” da minha cidade, acho que sou filha adotiva, tenho fé e faço por onde para meus sonhos se tornem reais. Corro atrás da primeira vez, na segunda esnobo e na terceira tiro da minha vida. Sou apaixonada por coisas antigas, gosto de clichês verdadeiros e sou totalmente o oposto da minha mãe. Sou feliz com o pouco que tenho e não anseio mais do que isso. É, eu sou bem esquisita mesmo, mas eu gosto de mim. Não mudo porque alguém não se agrada com meu modo de ser, ou porque ficam falando que sou estranha. Sou estranha do meu modo e vai ser sempre assim. Quem não gostar, não precisa fingir, isso machuca pra caralho. Se gostar, obrigada, te darei o valor e atenção que você me der. E quem não me conhece, mas mesmo assim me julga, está mais do que na hora de aprender que nome, roupas, rosto e gírias, não definem personalidade. Taynna (wiresattached)